Demência é o título do primeiro romance de Célia Correia Loureiro. Publicada há dez anos, esta obra terá uma edição revisitada, que chegará às livrarias durante o mês de abril. 

Durante este processo surgiram vários desafios, entre os quais um cuja resolução está a ser particularmente complicada: escolher uma nova capa. E contamos com o vosso contributo para o ultrapassar. 

Para isso, deixamo-vos a sinopse e as capas completas e convidamo-vos a escolherem a vossa favorita nos comentários desta publicação no Facebook.

 

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Demência

Numa pequena aldeia beirã, duas mulheres de gerações diferentes leem o seu destino nas mãos de um mesmo homem: Letícia foi vítima de um marido ciumento e manipulador, e Olímpia é a mãe extremosa desse agressor.

Mas quando Letícia regressa para assistir Olímpia, aos primeiros sinais de demência, os traumas que traz na bagagem ameaçam estilhaçar o silêncio conivente dos aldeões. Ainda que ostracizada, Letícia esforçar-se por esquecer os tumultos do seu casamento, enquanto Olímpia pede ajuda ao amigo de infância, Sebastião, para reconstruir as próprias memórias e entender o que se passou com o seu único filho.

Demência traz-nos, através das vivências destas duas mulheres, a dura realidade de um Portugal rural e ainda tendencioso, e faz-nos repensar o significado de família e de comunidade, de inocência e de culpa. 

 

 

14-03-2019

Da edição digital ao livro físico e, agora, à presença em livrarias. A Coolbooks continua a reforçar a aposta nos autores nacionais e está cada vez mais próxima dos leitores.

A partir de agora, os títulos da Coolbooks podem ser encontrados ou encomendados em duas redes livreiras e 22 livrarias espalhadas por todo o país (prometemos continuar a atualizar a lista):
 
 
 
13-03-2019

 

Comemorado desde 1909, o dia 8 de março foi oficialmente proclamada pela ONU como Dia Internacional da Mulher em 1975 e só quatro anos mais tarde foi aprovada a Convenção para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres.

Assinalado um pouco por todo o mundo, este dia é uma oportunidade para assinalar e recordar as conquistas e o papel das mulheres na sociedade, assim como abordar questões como a violência sobre a mulher ou as desigualdades de género.

Por cá, celebramos o Dia Internacional da Mulher da forma que melhor sabemos, recomendando histórias de mulheres de coragem vertidas nas páginas de um livro.

Descubram-nas, inspirem-se e celebrem-nas. Hoje e todos os dias:

 

 

   

Sentença ou Oportunidade?

Este livro acompanha a história de Léa Pinheiro e a sentença clínica que a deixou com uma sequela limitadora e irreversível – a colostomia.

A história de Léa não é um lamento; é, sim, uma lição de vida fabulosa. E é ao ler o seu testemunho que percebemos que não só soube reconhecer no seu desafio pessoal uma decisiva oportunidade de resgatar a felicidade, como se tornou num acolhedor farol de milhares de ostomizados em Portugal.
Siga-a nesta viagem e descubra como se reconstroem sonhos e se semeia a coragem. 


 

   

Cartas com amor

Uma terna história de amor que nos demonstra que a felicidade brota nos locais mais insuspeitos. Começa quando duas pessoas descobrem que gostam uma da outra e tudo acontece de uma forma tão intensa e arrebatadora que não há outra solução senão enfrentar todos os fantasmas e angústias de duas famílias tradicionais que se recusam a perder o sentido das aparências.

Cartas com amor fala-nos da capacidade que o ser humano tem para se rebelar, virar a mesa, atravessar oceanos, enfrentar o desconhecido e correr atrás da felicidade. Acima de tudo, fala-nos sobre aquela capacidade de amar no limiar do sobrenatural.


 

   

E ficou a terra

Alentejo. 1975. A luta pela terra alimentava ódios antigos, privilégios seculares, deixando um rasto de conflitos e de feridas abertas.

Verónica é a filha de um latifundiário que se apaixona por um desconhecido que conhece num bar. Mantém uma relação secreta com ele até que um flagrante do seu próprio pai os "obriga" a casar. A partir daí, e através das vozes destes dois protagonistas, vamos descobrindo que intentos os movem, quais os seus verdadeiros objetivos e qual o valor da verdadeira liberdade.

Passado no pós-25 de Abril, o romance dá-nos a conhecer as dinâmicas de uma pequena vila no Alentejo, os poderes perdidos, aqueles que começam a ascender, assim como a luta perante aquilo que surgia como o bem maior: a posse da terra.

 

   

Eu, do nada 

Esta é a história de um local que resistiu às eras sendo Nada, uma quinta onde, na peculiaridade do nome, sempre se negociou vida e transcendência com a naturalidade do desassombro. É a história de Luísa, feita varão do Nada, nascida Matilde em 1911. É a história de um país interseccionando-se no quotidiano rural de uma Casa grande de vinho e pão, sobrevivendo às Invasões Francesas, a ciclones, ditaduras, fantasmas e outros bichos, sobrevivendo à dor e à perda da sucessão de tempo atrás de tempo.

Sobreviverá o Nada a Luísa? Ou tornar-se-á Luísa uma réplica de Máxima, a Senhora que vive na distância altaneira do segundo andar da Casa do Nada?

Baseado em factos reais.

 

   

O que se cala é como se não existisse

Alice escolheu adiar o tempo e viver das memórias que a tesoura com desvelo, misturadas com essas outras lembranças, que ela não quer que existam e que, ainda assim, teimam em se fazer presentes, sem que Alice tenha força para lhes resistir.

As memórias que a transportam do seu Alentejo natal, rude, pobre e explorado, até um bar de prostituição, em Lisboa, para, finalmente, lhe darem a paz, num apartamento antigo, onde ela se (re)constrói em fantasias, nas quais o presente, o passado e o futuro se misturam, deixando de ter sentido, ou razão de ser.

Esta é uma história de violência e de medo, de sonhos e de perdas, mas também, de redenção. Uma história com muitas histórias dentro, que homenageia as tantas Alices que aguentam, sempre. Que calam, sempre. Porque assim lhes ensinaram. Porque assim teria de ser. Porque, afinal, o que se cala é como se não existisse!

 

   

Voltar a Ti 

«O amor não é sentimento para repousos longos e confiantes, mas, como acontece com todas as coisas intensas deste mundo, é uma das fontes maiores da felicidade humana.»

Constança divide os seus dias entre dois mundos. Na cidade grande do Norte, dedica-se ao trabalho e a Guilherme, o companheiro com quem reparte os planos para o futuro. Na sua pequena aldeia do interior, encontra a doçura das memórias de infância e o carinho dos pais, enquanto apoia e conforta o irmão mais velho, Luís, recentemente regressado a casa, onde procura recuperar de um profundo desgosto.

Um inesperado desafio profissional força-a a alterar as rotinas. Se a distância geográfica a obriga a reconstruir a sua presença habitual entre os dois lugares, sentimentos novos e inesperados abrem-lhe um caminho até agora desconhecido pelo seu coração.

Entre a tragédia e a perda, o amor e a saudade, o novo mundo de Constança surge de forma intensa, surpreendendo-a a cada passo e a cada incerteza. Com ele, a sua reconstrução interior e também a espera, sempre paciente, pela felicidade…


 

   

A última viagem 

Baseado em acontecimentos reais, vividos pela autora durante as viagens que fez ao Bangladesh, A última viagemconta a história da luta de Maria Eduarda pela construção de um hospital pediátrico em Daca.

Após a trágica perda do marido, a vontade de continuar com o projeto que iniciaram juntos esmorece. A vida, contudo, não lhe permite esquecer, e Maria Eduarda regressa ao Bangladesh para honrar o compromisso que, afinal, nunca tinha abandonado.

O aparecimento de Carlos, diretor de um laboratório farmacêutico, faz com que a concretização do sonho se torne possível, mas em condições bastante peculiares. Maria Eduarda será obrigada a testar a integridade dos seus valores enquanto assiste a uma mudança improvável na sua vida, da qual parece ter perdido todo o controlo.

Este é um romance construído à volta das relações interpessoais e de tudo aquilo que o ser humano é capaz de abdicar, por amor a quem nasceu com quase nada. Se as crianças de Daca são o fio condutor de toda a narrativa, heróis improváveis que lutam diariamente por uma sobrevivência dura e muitas vezes inglória, o amor é a energia invisível que transforma sonhos em algo verdadeiramente lendário.

  

08-03-2019



E é chegada a época dos votos de Paz, Harmonia e Amor. Benditos sejam, todos eles, tão absolutamente necessários, nestes tempos estranhos em que recrudescem ódios, se marcam diferenças e se ignora a dor.
 
Os tempos estranhos que juráramos, enquanto humanidade, não deixar que se repetissem. Os tempos difíceis que tentam roubar-nos a candura, a compaixão e a confiança. Os tempos duros que apelam mais à dúvida do que à fé. Os tempos amargos que nos centram em nós e nos fecham ao outro. 

Os tempos em que sempre nos falta o tempo. O tempo de um olhar, ainda que breve. O tempo de um toque, ainda que leve. O tempo de um sorriso, ainda que tímido. O tempo de um abraço, dado a tempo.

Os tempos da insatisfação permanente, em que o tudo sabe sempre a nada. Porque o tudo é nada, quando as almas se esvaziam. Porque esquecemos esses pequenos nadas, que, para tantos outros, sabem a tudo.

E, no entanto, ainda há tempo: para o Amor, para a Harmonia, para a Paz: não os dos discursos grandiloquentes nas palavras e ocos na intenção, mas os outros: aqueles que se fazem de gestos pequenos e de olhares amáveis. E, se ainda há tempo, assim nos chegue a vontade!


Maria José da Silveira Núncio é autora de Calor e O que se cala é como se não existisse
21-12-2018
                      ¿

Perco mais uma vez o transporte e nunca sei se chego cedo ou se chego tarde. Se chego tarde, perco-o. Se chego cedo, perco-o na mesma pois não tenho paciência para o esperar. Vou a pé para casa. É já ali de qualquer forma.

- Vá a correr para casa! Abrigue-se o mais depressa que puder! – diz um homem que se abeira de mim com um guarda-chuva aberto sobre as nossas cabeças. – Quer que a abrigue a qualquer lado? Mora perto?
- Sim, a minha casa é já ali… Mas não está a chover.
- Mas vai chover! Daqui a pouco, poucochinho, vai cair uma chuva pesada, daquela furiosa, e não vem sozinha! Com a chuva vêm raios, trovoada, da que grita! O vento vai arrastar telhados e a saraiva vai partir vidros! Não é prudente andar na rua. Vou andando, está bem? Corra, corra para casa!

Dobra uma esquina e desaparece na noite quente, tão quente como se fosse de dia. O trânsito caótico também cá anda como se fosse hora de ponta. Durante o dia é um silêncio fino, as ruas estão desertas em dormência profunda. Mas agora, a esta hora já tardia, a orquestra urbana usa todos os instrumentos que tem: carros, autocarros, motos, aviões, helicópteros, pessoas e pessoas que, por serem tantas, nem se veem umas às outras.

Um casamento a esta hora… Convidados elegantes e formais esperam os noivos à porta da igreja, nesta atmosfera noturna que ferve de tão quente que está. As flores estão fechadinhas, afinal é durante a noite que dormem. Mas as pessoas apresentam-se despertas, com os olhos vivos e brilhantes, com a pele fresca como se fosse de manhã.

Abeiro-me de um quiosque para ler os títulos dos jornais. Ao ler os títulos não leio as notícias, ao ler as notícias não percebo os seus títulos. Mas… estes jornais são de amanhã… Como sabem as notícias de amanhã se ainda é hoje?
- Deite o relógio fora – diz a senhora que vende os jornais.
Olho para o pulso. O relógio funciona.
- A não ser que marque o tempo certo para si. Cada um de nós tem o seu tempo – diz pensativa.

Afasto-me e continuo a caminhar para casa. Não chove nem troveja e o vento também não apareceu. Até me custam os passos lentos ao empurrar esta nuvem densa de calor que me prende os pés, pesadas pegadas invisíveis que vou deixando para trás. 

Consigo chegar a casa, arrastando-me contra o tempo longo de tão lento que está. Abro a caixa do correio. Encontro uma carta com um selo de outro país, de um país longínquo onde agora é inverno, onde talvez seja de dia, um dia de ontem ou de amanhã, mas a morada do remetente fica aqui perto, pertence à cidade onde vivo.

Ana Gil Campos é autora de As impertinências do Cupido
21-12-2018