Autores em leituras: «O Motor do Caos e da Destruição»




A leitura de O Motor do Caos e da Destruição foi uma experiência cinematográfica. E esta apreciação vinda de mim só pode ser positiva. Um bom filme leva-nos a ter uma experiência superiormente interessante e envolvente, quem sabe até mudar a forma como vemos o mundo e as pessoas. Um livro cinematográfico terá o condão de nos facilitar a viagem. De nos dar liberdade total para imaginar, para criar a nossa própria visão, dentro do mundo, neste caso claustrofóbico e cinzento, inventado pelo autor.

À medida que as diversas narrativas desfilavam à frente dos meus olhos, revisitei o mundo caótico de George Miller, e do seu Mad Max; lembrei-me de David Fincher e dos seus Sete Pecados Mortais; e até fui buscar a velhinha série Balada de Hill Street, que devorava na companhia do meu pai.

António Bizarro não facilita a vida ao seu leitor. E ao não facilitar acaba por nos fazer entrar num mundo muito sui generis e muito bem conseguido, onde a negritude e o pessimismo relativamente à espécie humana acabam por ser os denominadores comuns. Adorava poder dizer que discordo dele, que terá imaginação a mais e por isso se virou para a escrita. Mas estaria a mentir. Felizmente que se virou para a escrita, é um facto. Mas aquele mundo por ele criado tresanda a realidade…



Carla Ramalho é a autora de Pelas ruas de uma cidade sem nome e do mais recente E ficou a terra.
17.07.2017