Natal de afetos e memórias


Provavelmente, o Natal será a altura do ano em que mais colocamos à superfície os nossos sentidos mais profundos, incluindo os nossos afetos e as nossas memórias recentes e mais antigas.
Acredito piamente que a época natalícia, sirva muito mais para unir do que para separar. Nesta união em que nos vemos envolvidos, como que por uma formula quase mágica, dou por mim a refletir e a conversar acerca da importância da memória na nossa vida. Nós somos as nossas memórias, somos a impressão que os acontecimentos nos causaram, o que aprendemos, aquilo de que temos saudades e recordamos com gosto, mas somos também as memórias que ainda hoje nos causam dor. Nunca, porém, nos recordamos sozinhos. A família e os amigos, fazem parte dessas memórias. O Natal, e a união que dele resulta, ajuda-nos a concluir que todos nós somos construtores de memórias de afetos e isso é uma das coisas mais valiosas que o ser humano pode ter, porque acredito que um dia, quando as forças faltarem, a memória será quase tudo o que temos para tornar o nosso quotidiano mais suave.

Feliz Natal, com afetos e com memórias.


José Rodrigues é o autor de O rio de Esmeralda e Voltar a ti
19.12.2017