Francisco Sousa Faria da Silva em discurso direto



Capturados Os salteadores da Torre de Londres, procuramos a origem de Os Mosqueteiros, a coleção de Francisco Sousa Faria da Silva.

Das artes visuais rumou à literatura e dedicou-se a escrever para crianças e jovens. Porquê?

Cresci no meio dos livros e foi desde muito jovem que comecei a gostar de ler, escrever e desenhar. 
Em criança, no tempo livre que tinha, entre estudo, desporto e brincadeiras com os amigos, arranjei sempre lugar para a leitura e para o desenho. Gostava de escrever pequenas histórias e depois ilustrá-las. Mais tarde isso influenciou bastante os meus estudos em artes visuais e depois a licenciatura em cinema. Escrever e desenhar foram sempre atos essenciais para a minha vida e o público juvenil permite ligar de uma forma muito natural a ilustração e o texto.  
 
O que o motivou a escrever sobre a origem de “Os Três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas?
O meu interesse nesta história deve-se principalmente ao meu avô. Lembro-me, no tempo da minha infância, de chegar a casa do infantário (princípios dos anos 90) e de me encantar com uma série de animação da RTP que era uma adaptação de Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas. A minha mãe achava um piadão àqueles desenhos animados e pediu ao meu avô para me gravar a série. 
Entretanto também vi os filmes, com especial destaque para a versão de 1948 (com Gene Kelly e Lana Turner), Os Três Mosqueteiros de 1993 e O Homem da Máscara de Ferro (1998).
Foi sempre uma história que me interessou e com a qual me identifico bastante. Há valores intemporais que este universo transmite, tais como a amizade, a honra, a tolerância, a liberdade e a justiça social. Perguntei-me várias vezes qual seria a história que antecedia Os Três Mosqueteiros, numa reflexão bem ao estilo do que George Lucas fez com a saga de Star Wars.

Ao contrário da obra de Dumas, na coleção “Os mosqueteiros”, Richelieu é o herói. Porquê?
Em muitas adaptações ao cinema, televisão e livros, a visão de Dumas sobre este personagem histórico acaba sempre por ser muito demonizado. 
Adotei esta perspetiva de modo a poder explorar uma das personagens que considero mais fascinantes no livro de Dumas. Quero conhecê-lo, saber qual foi o seu percurso e o que lhe aconteceu para estar do lado oposto dos mosqueteiros. 
Nesta história conhecemos Richelieu na sua juventude. Tentei respeitar, sempre que possível, a sua biografia e adaptá-la à narrativa. 
Vai haver uma metamorfose deste personagem na próxima aventura da coleção e que vai culminar no antagonista que Dumas nos apresenta. 

A coleção é acompanhada de ilustrações da sua autoria. Que papel lhes atribui?
É um papel complementar que serve para reforçar a minha visão da história e visto que sou formado nessa área, prefiro ser eu a criar do que pedir a outra pessoa que implemente a sua visão. Por outro lado, defendo que um livro direcionado a crianças e jovens deve ter ilustrações. 

Depois de Paris, Florença e Londres, qual será o próximo destino de Richelieu?
O próximo destino de Richelieu vai ser Macau. Aproveito um facto verídico para dar asas à imaginação e desenvolver uma história no Oriente. Vamos também ter personagens portuguesas de grande relevância para a narrativa. Para além disso, no final do volume regressamos a França para desvendar a origem da famosa Milady de Winter. Um facto que vai estar sempre presente desde o início do livro.

Francisco Sousa Faria da Silva é o autor da coleção Os Mosqueteiros com os títulos A conspiração de sangue, O segredo de Leonardo da Vinci e Os salteadores da Torre de Londres.

19.01.2018