Ainda precisamos celebrar o dia da mulher?


A existência da dúvida dá resposta à pergunta. Verdade é que, mais de 100 anos após a primeira celebração do dia da mulher, os desequilíbrios que se faziam notar na altura, continuam. Alguns mais dissimulados, disfarçados ou escondidos, mas vivos, muito vivos. Diferenças salariais, preconceitos de género ou oportunidades de emprego, são realidades viscerais na sociedade ocidental. Se viajarmos mais longe, (ainda) encontramos cenários bizarros de casamentos programados pelo patriarcado, abusos sexuais ou  sonegação de direitos básicos.

Há uma imperiosa necessidade de mudança e a educação deve assumir o comando. Vamos abandonar os estigmas do que cabe ao menino ou à menina fazer. As diferenças biológicas neste enquadramento da realidade são certas, o que não podemos é recorrer a estas para validar comportamentos sexistas. A maior certeza que podemos alcançar é a de que tudo se relativiza quando começamos a ver o indivíduo fora das estatísticas e das presunções sociais. 

A luta pelos direitos das mulheres não deve ser encarada como uma luta contra os homens, até porque o preconceito começa muitas vezes (para não entrar no radicalismo de dizer quase sempre) entre elas próprias. Vamos educar diferente, descriminar menos, aceitar mais. Antes de nos definirmos como homem ou mulher, sejamos humanos. Justos, livres e dignos.


Inês Pinheiro é a autora de A última viagem.
08.03.2018