A leitura como um avião a cruzar o céu numa noite de verão
                      


Assemelho a leitura a um avião a cruzar o céu numa noite de verão, rumo ao outro lado do mundo. 


O contacto com a palavra e as histórias, repletas de realidades desconhecidas e pessoas diferentes, ajudam as crianças e os jovens a encetar viagens que lhes avivam a curiosidade e os fazem crescer. Mas não é fácil que crianças e jovens queiram apanhar o avião da leitura, se a viagem não representar um momento de emoção. O hábito de ler adquire-se e mantém-se, se a ele estiverem associadas viagens aprazíveis, se o leitor se identificar com os passageiros ou o destino da viagem.

A coleção Diário de Ana Joana, agora iniciada com o lançamento do primeiro volume, convida o leitor a viajar com uma adolescente dos dias de hoje que, dotada de um humor peculiar, deixa registadas as suas vivências num diário. Apesar de a Ana Joana ter um sonho diferente – ela quer ser política –, e isso, por vezes, lhe causar alguns dissabores, o leitor encontra nas suas peripécias e olhar irónico, momentos com os quais se identifica, lavando-o a querer saber sempre um pouco mais sobre o destino da protagonista. Ao ler os restantes volumes da coleção, que a Ana Joana escreve à medida que cresce, o leitor irá crescer com a sua nova amiga e, tal como ela, irá tentar compreender o que está a acontecer à sua volta, ainda que por vezes confunda moinhos de vento com gigantes durante a viagem.

Porque optei por escrever para crianças e jovens?

Haverá seguramente várias razões que me levaram a querer fazer esta viagem. Antes de partir, lembro-me de ter metido na mala estas três e não obrigatoriamente por esta ordem: a) para lhes proporcionar bons momentos na companhia de um livro ou através do seu dispositivo móvel, partilhando com eles o prazer de escrever histórias; b) porque acredito no poder transformador da leitura e, como tal, incluí no meu trabalho em torno da promoção da leitura o ato de escrever; c) porque o trabalho de professora me permite apoderar-me com facilidade dos universos de referência do meu público-alvo: conheço a linguagem que utilizam, os seus gostos, interesses e inquietações. E isso ajuda, naturalmente, a criar uma história e personagens verosímeis.

Desejo a todos os jovens uma excelente viagem na companhia da Ana Joana!


Raquel Ramos é a autora de Diário de Ana Joana
01.01.1970