O convite de Susana Amaro Velho

Tantas vezes, escrever é uma fuga. É sair da nossa sala, da nossa casa, para percorrer caminhos desconhecidos e incertos. Para comprar pão na mercearia da esquina, ou para trocar dois dedos de conversa com a vizinha da frente. Entrar neste Bairro foi tantas vezes uma fuga. Foi uma libertação das amarras da rotina. Foi um viajar numa história que me reconstruiu e curou.

O Bairro das Cruzes nasceu num período em que precisava de escapar. Da rotina. Dos medos. Em que a vida me colocou frente a frente com o desafio da maternidade, essa prova de fogo para a qual ninguém estudou o suficiente. Trouxe-me a liberdade de que precisava. A possibilidade de palmilhar caminhos de outros tempos. De me encontrar em músicas do antigamente. O Bairro das Cruzes é o meu Bairro. É a minha infância e a minha ligação aos meus. É uma fuga. E, ao mesmo tempo, um ponto de encontro.

Foi neste Bairro que me curei. Que cimentei ligações passadas e que perdoei mágoas que nem sabia existirem. Os laços familiares perseguem-nos. Os desgostos são, tantas vezes, feridas abertas. Passear neste Bairro foi um caminho de reconstrução. Ficcionado, mas real. Porque todos carregamos cruzes, das quais temos de nos libertar.p

Gostaria que aceitasse o meu convite para percorrer comigo as ruas deste Bairro.

26.11.2019