Autores em leituras: Ponto Zero por Francisco Silva


Um livro muito interessante.

Gostei do estilo, da forma como está escrito, das referências cinematográficas (o “Rebel Without a Cause” acompanha a história toda). Acho que se o Nicholas Ray regressasse ao mundo dos vivos e quisesse fazer um novo filme sobre jovens, uma adaptação a filme de “Ponto Zero” seria muito possivelmente uma escolha acertada!

As referências musicais também me chamaram a atenção, principalmente para quem é adepto (como eu) de uma onda rock, grunge, com nuances metaleiras pelo meio.

A história não é assim tão descontraída como parece! Atenção a este pormenor… Aos poucos e poucos, o leitor vai-se entranhando no universo de Luísa e começam a surgir várias questões pertinentes, situações tabu, problemas de saúde, LSD, e outras questões bem atuais. É um mundo de ímpetos, de quem quer agarrar e viver ao máximo o momento, com pontas do romantismo clássico, dúvidas e muitas questões. Gostámos de géneros ou de pessoas? O livro responde muito bem a esta questão.

A meu ver, este retrato de uma geração é mais um retrato de um grupo geracional académico, intelectual, artístico. Move-se mais nesses meios e com personagens mais ligadas a esses universos.

Este livro é também um hino à cidade de Santiago de Compostela. Rita Inzaghi mostra-nos um lado menos mainstream (cidade das peregrinações religiosas e tal…). Não é nada disso que aqui está. Existe sim, uma peregrinação, mas é onírica, pessoal e, não menos importante, o culminar de algo na vida das personagens… é o início!

Houve uma frase, uma fala da personagem principal, que me prendeu completamente. Penso que descreve muito bem o universo de “Ponto Zero”.

“A arte é uma urgência… E a ansiedade… um trabalho a tempo inteiro.”

Ora nem mais! Parabéns pelo livro, Rita Inzaghi. Gostei bastante.

Francisco Sousa Faria da Silva é o autor da coleção Os Mosqueteiros.
17.03.2017