José Baptista Roque e a nova revolução



Olá, caros leitores, eu sou o Zé Roque, um recente autor por mero acaso. No ano em que se completam 40 anos sobre o dia 25 de Abril de 1974, apetece-me recordar esta data, porque sem dúvida marcou a minha geração. Na altura tinha dezoito anos, trabalhava com o meu pai e dirigia-me de manhã como habitual para o nosso escritório situado na Pontinha. Deslocava-me na minha Vespa amarela e, após subir a violenta e íngreme ladeira junto à Escola Agrícola da Paiã, lá entrei no largo da vila a caminho do trabalho. Subitamente fui mandado parar por um militar rodeado de carros de combate: «Este é o Movimento das Forças Armadas, aconselhamos que regresse a casa.» E lá fui eu, contar ao meu pai que havia uma revolução.

Passados estes anos todos, estou mais velho, mais experiente e reformado. Passados estes anos, mal podiam imaginar aqueles militares o País em que nos transformámos.

Não estávamos preparados, e não estamos ainda. É verdade que nos modernizámos, evoluímos, mas estamos cada vez mais pobres, apesar de sofisticados, até a minha Vespa, que já não é amarela nem precisa que carregue num pedal para arrancar com o motor. Agora é eletrónica, tem travões de disco e relógio digital.

E é nesta era do digital que nos aproximamos dos livros sem folhas de papel, para podermos aceder através dum PC ou de um tablet; fantástico mundo, este. Entretanto, abundam os sem-abrigo, a pobreza e a fome. Talvez seja possível esperar uma nova revolução, uma diferente das outras, que nos traga a todos mais decência. Foi exatamente a observação dos sem-abrigo da Av. da Liberdade em Lisboa que me inspirou para vos trazer esta obra. Espero que gostem.


O sem-abrigo

28.05.2014